Programa 24-04

Programação da Sala dos Sons do dia 24-04-2012

PROJEÇÃO SONORA DE COMPOSIÇÕES ELETROACÚSTICAS

DIREÇÃO ARTÍSTICA: PROF. DR. E.F.FRITSCH

ONDE: Sala dos Sons – Av. Paulo Gama, 110 – 2 andar da Reitoria da UFRGS
QUANDO: 24 de abril – horário: 18h

ENTRADA FRANCA

 Projektion (1999-2000) – Paulo Chagas

 Projektion foi a última obra puramente eletroacústica realizada no Estúdio de Música Eletrônica da Rádio WDR de Colônia, na Alemanha. A obra propõe a decomposição de um único som – um fragmento de voz – o qual é repetido em loop e processado por um sistema de espacialização em 12 canais, que gera um movimento contínuo de rotação. A regularidade do loop produz um ritmo que é alterado por transformações digitais como filtro, delay, feedback, etc. Essas alterações criam novos ritmos que se sobrepõem ao som original, gerando uma espécie de polifonia espectral. Além do original, foram criados 5 processos sonoros de doze canais, num total de 72 pistas. A partir desta versão original em doze canais, o compositor criou duas novas versões de Projektion: 8 canais e estéreo com a duração de 17′ 28″.

“Mass & Energy” (2012) – Rafael de Oliveira

Em física, “equivalência massa-energia” é o conceito de que a massa de um corpo é a medida do seu conteúdo de energia. Neste conceito, massa é propriedade de toda energia, e energia é propriedade de toda massa, e as duas são conectadas por uma constante: a velocidade da luz. Para Einstein, a equivalência da massa e energia é uma consequência das simetrias do espaço e tempo. Em Mass & Energy é apresentada, através do discurso musical, uma subjectivação deste pensamento. As interacções entre os materiais sonoros e as estruturas musicais resultantes são uma consequência da energia constante no próprio material. Como consequência o espaço acústico ocupado pela obra busca reflectir a intensidade destas interacções. Este trabalho foi desenvolvido nas dependências do CIME (Centro de Investigação em Música Electrónica), pertencente ao Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, Portugal.

Bagatelas do Encontro (2012) – Daniel S. Mendes

Bagatelas do Encontro é uma série de pequenas peças eletroacústicas nas quais utilizei como material concreto falhas e erros ocorridos durante a gravação de concertos. Neste caso, considero como ‘problemas’ aspectos tanto de ordem prática, como ruídos ambientes, problemas no aparato de gravação, quanto outros mais subjetivos como a própria forma de encarar a execução da obra em relação ao almejado pelo compositor em comparação com o material disposto na gravação. Desta forma, o que foi considerado indesejável se torna o próprio material nesta obra e é inserido dentro do discurso da obra com autonomia e legitimidade. Esta versão de Bagatelas em 7.1 foi desenvolvida especialmente para ser apresentada na Sala dos Sons da UFRGS.

Sobre os compositores:

Paulo C. Chagas é compositor brasileiro de reputação internacional. Sua música desenvolve uma estética pluralista, explorando tecnologia e multimídia. Chagas realizou estudos de composição no Brasil, na Bélgica e na Alemanha. É doutor em Musicologia pela Universidade de Liège, Bélgica. Atualmente, é Professor de Composição da Universidade da Califórnia, Riverside, EUA, onde reside.
Paulo C. Chagas compôs mais de 100 obras incluindo balés, óperas, teatro musical, multimídia, peças para orquestra, conjuntos instrumentais e vocais, instalações, música eletrônica e digital. É convidado regularmente para participar de festivais internacionais na Europa, Rússia e Estados Unidos.

Daniel S. Mendes (1984 – ) atua na área da música contemporânea de concerto, tanto como compositor, quanto intérprete. Defendeu sua dissertação de mestrado na UNESP orientado por Flo Menezes sobre da obra eletrônica de Stockhausen. Atualmente cursa doutorado em composição na UFRGS sob orientação do Prof. Dr. Antonio Borges-Cunha e é professor de disciplinas teóricas nos cursos técnicos e de graduação em Música na Faculdades EST.

Rafael de Oliveira é compositor brasileiro, graduado em composição musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo também bolsista no CME – Centro de Música Eletrônica. Desde 2006 reside em Portugal, onde atualmente realiza o doutoramento em composição na Universidade de Aveiro, integrando o CIME – Centro de Investigação em Música Electrónica. Detém especial interesse em composição de música eletroacústica mista e paisagens sonoras.

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Programa 10-04

Programação da Sala dos Sons do dia 10-04-2012

COMPOSIÇÕES ELETROACÚSTICAS DOS PROFESSORES DO DEPARTAMENTO DE MÚSICA DA UFRGS

DIREÇÃO ARTÍSTICA: PROF. DR. E.F.FRITSCH

ONDE: Sala dos Sons – Av. Paulo Gama, 110 – 2 andar da Reitoria da UFRGS
QUANDO: 10 de abril – horário: 18h

ENTRADA FRANCA

PROGRAMA

Treliça – sintetizador e sampler  (2011) – Luciano Zanatta

 Composição que explora as relações intervalares, tanto melódicas quanto harmônicas, de um conjunto de alturas extraído da série harmônica. Este conjunto de alturas é utilizado de duas maneiras: como escala, na parte do sampler, de onde é obtido material melódico e harmônico e como parciais para gerar uma forma de onda, na parte do sintetizador, gerando material timbrístico.

Realidade:  canelada! – sons gravados e processamento (2011) – Luciano Zanatta 

Nesta música é utilizado como material fonte principal o som de instrumentos musicais construídos pelo artista plástico Chico Machado. Os sons foram obtidos a partir de improvisações gravadas – as quais foram posteriormente editadas, processadas e recombinadas. O processo gera relações entre os gestos e os materiais. Estas relações são, então, explicitadas ou contrapostas por outros sons que são gerados pelo processamento ou obtidos de outras fontes.

Synthetic Horizon – música acusmática (2005) – Eloy F. Fritsch

Sinthetic Horizon foi composta em 2005 com o intuito de exteriorizar, sob a forma de música acusmática, a inquietação decorrente da reflexão sobre o mundo cibernético sintético que vem sendo criado pela humanidade. A intenção do compositor é conduzir o ouvinte a uma viagem por ambientes sonoros artificiais, projetados por texturas eletrônicas. A estréia de Sinthetic Horizon  aconteceu em outubro de 2005  durante o evento Música Acusmática no Museu – Apresentação de Música Eletrônica para Orquestra de Alto-Falantes, no Museu da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.

Resonance – música acusmática (2008) – Eloy F. Fritsch

Obra musical acusmática criada em 2008 no Centro de Música Eletrônica do Instituto de Artes da UFRGS e no estúdio particular do compositor. Em seu discurso eletroacústico, Fritsch busca a expressividade pela organização de sons produzidos por diferentes métodos de síntese: granular, aditiva e modulação de freqüência. As amostras de percussão interagem com passagens sintetizadas reforçando a intenção de certos gestos, enquanto que, a projeção sonora colabora para a articulação espacial com trajetórias, ambientação e localização dos sons.

Sobre os compositores:

 Luciano Zanatta (1973 –  ). Estudou Composição na Ufrgs com Celso Loureiro Chaves e Antônio Borges Cunha, obtendo os títulos de Bacharel, Mestre e Doutorem Composição. Participou do grupo o Os Relógios de Frederico, lançando três discos. Gravou também um disco solo chamado Volume 2. Atualmente é professor adjunto do Dep. De Música da Ufrgs

 Eloy F. Fritsch (1968 –  ) é compositor, tecladista e professor do Departamento de Música da UFRGS. Criou o grupo Apocalypse em 1983 tendo gravado 12 álbuns e se apresentado no Brasil e exterior. Como músico eletrônico lançou 9 álbuns de música para sintetizadores, um livro e um DVD de música eletroacústica. É também professor do Programa de Pós-graduação em Música, pesquisador CNPq e coordenador do Grupo de Pesquisa em Computação Musical da UFRGS.

A Orquestra de Alto-Falantes da UFRGS (OAF – UFRGS)

Para compor o repertório da Orquestra de Alto-Falantes são selecionadas obras de música contemporânea e projetos de áudio exploratório realizados com o uso da tecnologia nas modalidades acusmática, eletroacústica, concreta, eletrônica, trilha sonora, eletroacústica mista, arte sonora, instrumental com meios eletrônicos, interativa,  computacional e paisagens sonoras.

A difusão sonora de música eletroacústica realizada através da Orquestra de Alto-falantes possibilita a imersão do ouvinte no ambiente sonoro criado pelo compositor.  Nessa situação, a música projetada pelo sistema de alto-falantes, adquire o papel de estimulante da imaginação, provocando um fluxo de imagens na psique do ouvinte. Este, por sua vez, desenvolve representações mentais disparadas pelos sons da obra eletroacústica.

Um traço marcante em obras eletroacústicas apresentadas pela OAF-UFRGS é a preocupação com a forma de difusão espacial das composições diante da platéia na sala de concerto. A tecnologia estereofônica não é indicada para a criação de ambientes sonoros, já que na natureza, o som não é emitido por apenas duas fontes, mas por várias. A utilização de quatro, oito ou mais caixas acústicas, em canais independentes, serve para garantir que o som vai estar onde o compositor deseja que esteja para ser ouvido com a precisão necessária. A composição da projeção sonora, incluindo o movimento dos sons pelos alto-falantes  é parte indissociável das obras eletroacústicas. A disposição dos alto-falantes na sala de concerto, bem como a automação da mixagem para projeção espacial constituem um dos mais importantes e essenciais meios de estruturação da música eletrônica.

A Música Eletroacústica

A Música Eletroacústica, ou música eletrônica erudita, é a modalidade de composição realizada em estúdio, ou com o auxílio da tecnologia, e que se alinha dentro da linguagem da música contemporânea. A música eletroacústica, originada por técnicas provindas da música concreta e eletrônica, propõe novas estratégias composicionais, estruturais e estéticas que diferem das encontradas na composição da música instrumental. O ouvinte que comparece a um concerto de música eletroacústica necessita de um novo critério de percepção diferente daquele acostumado com escalas, relações harmônicas, altura e padrões rítmicos constantes.

A música eletrônica concebida para o sistema multicanal pode ser comparada ao revelo de uma escultura. Quando a composição criada para um sistema de oito canais é reduzida para o sistema estereofônico, é como se estivéssemos olhando uma fotografia da escultura, o revelo já não existe mais. Na música eletrônica, o ouvinte precisa estar imerso no ambiente sonoro e ser envolvido pela música que circula no espaço de concerto.

Na história temos muitos exemplos de clássicos da música eletroacústica tais como: Symphonie pour um homme seul (1950) de Pierre Schaeffer e Pierre Henry, Poème Électronique(1958) de Edgard Varèse, Artikulation (1958) de György Ligeti, Kontakte (1960) de Karlheinz Stockhausen, Ensembles for Synthesizer (1964) de Milton Babbitt, entre outros.


A Sala dos sons

Ao longo dos últimos dez anos, várias iniciativas para fomentar a criação e socialização da música contemporânea foram realizadas pela Universidade. O projeto Sala dos Sons é o primeiro espaço permanente do Rio Grande do Sul destinado à prática composicional de música eletroacústica com a possibilidade de difusão sonora pela Orquestra de Alto-Falantes da UFRGS (OAF-UFRGS). Este projeto nasce da necessidade de expandir os meios e espaços destinados à produção musical e socialização da criação musical contemporânea no Rio Grande do Sul. Leva em consideração a necessidade dos compositores de elaborar suas obras eletroacústicas levando em consideração o espaço de concerto.

A Sala dos Sons está sediada no segundo andar do prédio da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na Av. Paulo Gama,110, e conta com isolamento e tratamento acústico, software musical, placa de som, capacidade de 30 lugares, equipamento de projeção sonora de alta-fidelidade constituído por um sistema de 10 monitores ativos controlados por computador.  Este local foi projetado para o público conhecer a obra de compositores contemporâneos através de apresentações públicas e gratuitas.  Além disso, o espaço serve de laboratório musical, uma vez que possibilita a realização dos projetos musicais dos estudantes dos Cursos de Graduação e Pós-graduaçãoem Composição Musicalda UFRGS.

Com a democratização do acesso da música contemporânea através da promoção de apresentações públicas de difusão sonora na Sala dos Sons, buscamos inovar os espaços tradicionais e meios formais de propagação da música de concerto.