PROGRAMA 03-06-2013

Difusão sonora de Música Eletroacústica

Estréia das obras musicais eletroacústicas dos compositores Luciano Zanatta, Felipe Garcete, Alberto Tusi e Maria Eduarda Mendes Martins e apresentação da obra Mass and Energy de Rafael de Oliveira premiada no 3o. Concurso Latinoamericano de Composición Electroacústica y Electrónica Gustavo Becerra-Schmidt.

DIREÇÃO ARTÍSTICA: PROF. DR. E.F.FRITSCH

BOLSISTA: FELIPE GARCETE

ONDE: Sala dos Sons – Av. Paulo Gama, 110 – 2 andar da Reitoria da UFRGS
QUANDO: 03 DE JUNHO

HORÁRIO: 20h

ENTRADA FRANCA

PROGRAMA

TRULHA (2013 – ESTRÉIA) – Luciano Zanatta

Trulha é um conjunto de linhas. Uma trama que se adensa, ganha massa e se espalha no espaço. Um fragmento gravado de bateria é usado como fonte sonora. Fragmentação, transformação e repetição são os vetores. A textura rítmica é extrapolada em direção a timbres e melodias. Timbres harmônicos e inarmônicos, melodias às vezes 12TET, às vezes em alguma afinação não temperada ou em sistema algum de afinação (contínuo de alturas). No processo de composição, os sons da bateria sugeriram outros timbres que foram incorporados por gravações diretas ou pelo uso de samplers.

Luciano Zanatta nasceu em Porto Alegre em 1973. Estudou Composição na UFRGS com Celso Loureiro Chaves e Antônio Borges Cunha, obtendo os títulos de Bacharel, Mestre e Doutor em Composição. Participou do grupo Os Relógios de Frederico, lançando três discos. Gravou também um disco solo chamado Volume 2. Atualmente é professor adjunto do Departamento de Música da UFRGS.

A SALA DOS SONS (2013 – ESTRÉIA) – Alberto Tusi

A composição é fruto de um projeto de pesquisa chamado Música Eletroacústica Experimental, que é coordenado pelo Profº Dr. Eloi Fritsch, e desenvolvido no Centro de Música Eletrônica da UFRGS. Faz parte da metodologia empregar na composição sons criados por outros compositores registrados no acervo do CME. Estão presentes nessa composição sons oriundos dos catálogos dos seguintes compositores: Paulo Parada, Henrique Mombach, Maria Eduarda Mendes Martins, Renan Guzzo, Vinícius Azzolini, Sergio Lemos e Elder Oliveira. Os sons dos catálogos foram transformados através do uso intensivo de plug-ins de processamento de áudio e de um algoritmo computacional desenvolvido pelo autor na linguagem Max/MSP. A concepção da forma da música, bem como seu percurso dramático, textura e densidade tiveram como guia o gráfico da onda sonora de uma gravação de uma paisagem feita no Campus Central da UFRGS.

Alberto Tusi nasceu em 1989 em Santiago-RS e estudou em Curitiba-PR, na tradicional Escola de Música e Belas Artes do Paraná, local onde tomou gosto pela composição musical. Voltou ao Rio Grande do Sul onde graduou-se em música com habilitação em composição musical no Instituto de Artes da UFRGS. Seu trabalho composicional remete-se à Fé e às formas da natureza da sua terra.

Mass & Energy” (2012) – Rafael de Oliveira

Em física, “equivalência massa-energia” é o conceito de que a massa de um corpo é a medida do seu conteúdo de energia. Neste conceito, massa é propriedade de toda energia, e energia é propriedade de toda massa, e as duas são conectadas por uma constante: a velocidade da luz. Para Einstein, a equivalência da massa e energia é uma consequência das simetrias do espaço e tempo. Em Mass & Energy é apresentada, através do discurso musical, uma subjectivação deste pensamento. As interacções entre os materiais sonoros e as estruturas musicais resultantes são uma consequência da energia constante no próprio material. Como consequência o espaço acústico ocupado pela obra busca reflectir a intensidade destas interacções. Este trabalho foi desenvolvido nas dependências do CIME (Centro de Investigação em Música Electrónica), pertencente ao Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, Portugal. Esta obra recebeu Menção Honrosa no 3o. Concurso Latinoamericano de Composición Electroacústica y Electrónica Gustavo Becerra-Schmidt.

Rafael de Oliveira é compositor brasileiro, graduado em composição musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo também bolsista no CME – Centro de Música Eletrônica. Desde 2006 reside em Portugal, onde atualmente realiza o doutoramento em composição na Universidade de Aveiro, integrando o CIME – Centro de Investigação em Música Electrónica. Detém especial interesse em composição de música eletroacústica mista e paisagens sonoras.

VIÉS (2013 – ESTRÉIA) Felipe Garcete

Peça composta durante a disciplina de musica eletroacústica II, sob orientação do Prof. Dr. E.F.Fritsch .Utilizando sons gravados de objetos do cotidiano como canecas, chaves, isqueiros e barbeadores. Os sons registrados foram alterados através de processamento eletrônico, com o objetivo de criar uma sonoridade inverossímel e distante da realidade. O ruído do cotidiano é filtrado, distorcido e alterado pelo processo composicional, até a obtenção de novos sons.Obra desenvolvida especialmente para o sistema 8.0 da Orquestra de Alto-Falantes.

PARLA (2012) – Felipe Garcete

Peça composta durante a disciplina de musica eletroacústica I, sob orientação do Prof. Dr. E.F.Fritsch. Sons sintetizados foram produzidos através de instrumentos virtuais criados pelo próprio compositor. Os materiais musicais foram organizados em três sessões com texturas musicais distintas. Parla foi composta originalmente na versão estéreo e, posteriormente, ampliada para ser apresentada em um sistema 8.0 com a intenção de produzir uma escuta distante da música instrumental convencional.

Felipe Moreira Garcete nasceu em 1989 em Porto Alegre. É estudante do sexto semestre do curso de composição na UFRGS-IA sob orientação do Prof. Dr. Antonio Carlos Borges Cunha e bolsista da Sala dos Sons da UFRGS.

KYRIE (2012 – ESTRÉIA) – Maria Eduarda Mendes Martins

O Kyrie é parte integrante da Missa Eletroacústica. Esta música inicia de forma etérea. Como se acordássemos para um sonho em um lugar tranqüilo e diferente. Este começo faz parte da ideia de construção da introdução da peça. Que tem como maior objetivo não deixar pistas de como ela vai ser ou do que esperar para o texto principal (Kyrie eleison), uma vez que ele faz parte de uma peça eletroacústica. Foi usada, neste Kyrie, uma das maiores quantidades de texto em português de toda a missa. Justamente para fazer esta identificação do seu país de origem logo na primeira das seis peças. Este Kyrie tem um caráter de constante oscilação. Esta oscilação varia entre sensações de suavidade e paz para agressividade e medo, passando diretamente de uma para a outra. Esta imagem está diretamente ligada aos registros usados na peça (ou muito graves ou muito agudos) e simboliza uma constante passagem entre o céu e o inferno, onde o homem pede piedade a Cristo. A autora compôs a Missa Eletroacústica como trabalho de conclusão do Curso de Composição com orientação do Prof. Dr. Celso Loureiro Chaves.

Maria Eduarda Mendes Martins é natural do Rio de Janeiro, Maria Eduarda Mendes Martins iniciou seus estudos de pianos aos 16 anos. Em 2011 concluiu o Curso de Graduação em Composição Musical na UFRGS. Iniciou os trabalhos no âmbito da música eletroacústica em 2010 estudando com o Prof. Dr. Eloy F. Fritsch e apresentando composições em Porto Alegre (BR) e Córdoba (AR). Cooperou com organizações de eventos como ENCUn (Encontro Nacional de Compositores Universitários) e escreveu colunas quinzenais de música para sites culturais. Atualmente, Maria Eduarda leciona teoria e percepção musical, além de solfejo e leitura de partitura para coralistas.

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