PROGRAMA 21-08-2013

Concerto de Música Eletroacústica Brasil-Portugal

Concerto com o compositor convidado Rafael de Oliveira apresentando o repertório de obras eletroacústicas produzidas em Portugal.

DIREÇÃO ARTÍSTICA: PROF. DR. E. F. FRITSCH

DIFUSÃO SONORA: RAFAEL DE OLIVEIRA

ONDE: Sala dos Sons – Av. Paulo Gama, 110 – 2 andar da Reitoria da UFRGS
QUANDO: 21 de agosto de 2013 – horário: 20h

ENTRADA FRANCA

PROGRAMA

João Pedro Oliveira

Aphâr (2007) – duração : 11’

Aphâr é uma palavra hebraica que significa “pó”. Esta obra é inspirada no sonho de Jacob, descrito no Antigo Testamento (Gênesis, Capítulo 28): Jacob teve um sonho: Viu uma escada posta na terra, cujo topo atingia o céu; e os anjos desciam e subiam por ela. Perto dele estava Deus e lhe disse: Eu sou o Senhor de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. E a tua descendência será como o pó da terra. Subir a Escada de Jacob é um processo muito difícil. Cada passo que damos é mais árduo que o anterior e leva mais tempo e esforço para ser conseguido. Estes passos são pesados, e o pó que se liberta dos nossos pés espalha-se pelo ar e finalmente desaparece. Se atingirmos o topo da escada, todo o resto se desvanece, uma porta fecha-se para o mundo, e nesse momento alcançamos o infinito. ‘Aphâr foi composta no estúdio do compositor e no CIME (Centro de Investigação em Música Electroacústica) da Universidade de Aveiro. Esta obra ganhou o primeiro prêmio no concurso Yamaha-Visiones Sonoras (México) em 2007.

João Pedro Oliveira (n. 1959) é um dos mais importantes compositores portugueses da sua geração. Estudou órgão, composição e arquitetura em Lisboa. Doutorou-se em Música (Composição) na Universidade de New York em Stony Brook. Nos últimos anos tem-se interessado especialmente na interação entre a música instrumental e a música electroacústica, utilizando estes dois meios em quase todas as suas obras mais recentes. A sua música é tocada em todo o mundo, e a maioria das suas obras tem sido encomendada por instituições de prestígio internacional, além de ter recebido diversos prêmios.

Jaime Reis

Phonopolis (2003-04) duração: 7’12”

Phonopolis surgiu da necessidade pessoal de tentar explorar fenômenos fonéticos específicos, aliada à necessidade interpretativa do quase ilimitado campo da semiologia. Assumindo a poesia sonora enquanto uma entidade abstrata, passível de ser composta sob uma estrutura simples e essencialmente formada por aquilo que designo de “complementaridades fonéticas”, desenvolvi várias possibilidades para isolar e perceber as implicações de aspectos específicos das suas características naturais e sócio-culturais. A estrutura consiste em 3 camadas: a primeira, baseada numa série numérica simples (relacionada com a transposições e harmonia); a segunda, baseada em fenômenos fonéticos específicos e a terceira, onde aplico uma interpretação semiológica dos sons criados, induzindo específicas reações/induções (entidades humanas) através do uso de sons com identidades abstratas específicas naturais ou sociais. O resultado é um poema sonoro formado por sons de natureza onomatopeica que, sem ter significação semântica particular, possuem um sentido abstrato, que surge por especificidade do tratamento dos materiais e que se relaciona com a forma como falamos, com maior ou menor ênfase e força, tal como pode acontecer num poema, pretendendo criar algo o mais comunicante quanto possível. Musicalmente, os elementos rítmicos e seu tratamento constituem o âmago de toda a peça, que está estruturada em 3 partes: 1 – exploração polifônica de linhas desenvolvidas a partir das referidas “complementaridades fonéticas”; 2 – canon; 3 – explorações tímbricas. Esta peça foi estreada no festival “Synthèse”, em Bourges (França) e interpretada várias vezes em países como Portugal, Bélgica, Brasil, Espanha e Turquia”

Jaime Reis (Seia, 1983) iniciou os seus estudos musicais aos 5 anos com o etnomusicólogo António Tilly, no Conservatório de Música de Seia. Após estudou Lic. em Composição na Uni. de Aveiro, onde recebeu três bolsas de mérito e estudou com João Pedro Oliveira. Cursou o doutorado em Ciências Sociais, na Fac. de Ciências Sociais e Humanas da Uni. Nova de Lisboa. Iniciou doutoramento em Ciências Musicais (FCSH-UNL) orientado pelos professores Salwa Castelo-Branco e Emmanuel Nunes, cujos seminários de composição frequenta regularmente desde 2003 a par de outros cursos, nomeadamente, com Karlheinz Stockhausen. Aos 19 anos organizou o seu primeiro festival: Dni Muzyki Portugalskiej w Krakowie, posteriormente, o Festival Dias de Música Electroacústica; tem proferido conferências e cursos em instituições como: Universidade de Woosuk – Coreia do Sul, Keio University – Tóquio, SciencesPo – Le Havre, UNICAMP – Campinas, UFBA – Salvador na Bahia, UFJF – Brasil, Cursos Stockhausen 2009 – Kürten, 42. Darmstadt Internationale Ferienkurse für Neue Musik, International Summer School of Systematic Musicology; investiga no INET-md; é docente em Conservatórios como a EMNSC e Conservatório de Música de Seia, onde também participa da direção pedagógica e no ensino superior: Inst. Piaget – Almada e FCSH-UNL.

Rui Penha

Tuodos os nomes (2012) – duração: 5’02”

Produzidos a solo ou em grupos mais ou menos coordenados, em surdina ou ensurdecedores, voluntários ou inconscientes, os sons da cidade chegam-nos numa torrente caótica de vibrações que constituem o espaço acústico — público, inevitavelmente público — em que vivemos. Deste caos emerge por vezes o som mais pessoal e que mais cedo impregnamos na nossa memória auditiva: o nosso nome próprio. Mesmo quando não nos é dirigido, o chamamento do nosso nome no espaço público desperta sempre uma reação e, por vezes, uma curiosidade em conhecer a pessoa com quem partilhamos algo que tem tanto de íntimo como de vulgar. Nesta obra, vários espaços sonoros do Porto serão reproduzidos e, algures no meio deles, nomes próprios do Porto serão chamados por pessoas do Porto — com sotaques do Porto. Porque no espaço acústico — como no resto? — a fronteira entre o que é partilhado e o que é pessoal depende apenas da nossa sensibilidade.

Rui Penha nasceu na cidade do Porto em 1981. Compositor e intérprete de música eletroacústica, iniciou os estudos de piano ainda na infância, concluindo uma Licenciatura em Música (Composição) em 2006. Estuda com João Pedro Oliveira, Sara Carvalho, Emmanuel Nunes, Brian Ferneyhough, Helmut Lachenmann e Louis Andriessen, entre muitos outros. As suas obras são tocadas em diversos países da Europa por solistas e grupos de relevo, como Nuno Aroso, Pedro Carneiro, Arditti Quartet, Remix Ensemble ou a Orquestra Gulbenkian. Desenvolve intensa atividade no domínio da tecnologia da música, com ênfase no desenvolvimento de software e na conceção de novos interfaces de expressão musical. Foi fundador e curador da Digitópia, um projeto da Casa da Música em colaboração com o INESC Porto, a ESMAE e a Escola das Artes – UCP. Docente em várias instituições de ensino superior portuguesas, terminará em breve um Doutoramento em Composição.

Rafael de Oliveira

Transit of Venus (2013) – duração: 9’50”

Trânsito de Vênus é a passagem do planeta vênus diante do sol, alinhado com a terra, ocultando uma pequena parte do disco solar visto da terra. Em 5 de Junho de 2012 ocorreu um Trânsito de Venus e ao final deste dia a agência NASA disponibilizou um vídeo com algumas das imagens captadas por diferentes sondas e telescópios.

Este vídeo mostra de diferentes formas o evento: diferentes cores, diferentes velocidades, em diferentes níveis de aproximação, e com diferentes graus de atividade solar. A obra Trânsito de Venus busca uma adaptação musical da riqueza de texturas, movimentos e sequências deste vídeo. Assim, esta peça serve de homenagem ao Trânsito de Vênus de 2012, mas também serve para homenagear o encantamento que o estudo dos astros nos proporciona.

Rafael de Oliveira é compositor brasileiro, graduado em composição musical pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sendo também bolsista no CME – Centro de Música Eletrônica do Instituto de Artes. Desde 2006 reside em Portugal, onde atualmente realiza o doutoramento em composição na Universidade de Aveiro, integrando o CIME – Centro de Investigação em Música Electrónica. Detém especial interesse em composição de música eletroacústica mista e paisagens sonoras.

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